A primeira vez que me deparei com esta ideia – de pessoas presas no subsolo delas mesmas – foi no maravilhoso livro de Dostoiévski, chamado “Memórias do Subsolo”. Foi uma época em que eu mesmo me confrontava com este “inquilino”, um tipo de “sósia” oculta, um “duplo” que reside em nós, como uma sombra invasora, clandestina e nada bem vinda.

Quando damos voz a ele, ao “duplo”, o que escutamos não agrada. Sua narrativa é coberta por um tipo de “gosma verbal” que dói, quando ouvida aqui, na superfície. Medo, culpa, vergonha, raiva e tristeza são seus acordes, timbres de um som que seria melhor mesmo trancar de volta no porão. Mas aos poucos descobrimos que, mesmo trancafiado, produz um silêncio enganoso e barulhento. Ao tampar os ouvidos, o ruído aumenta. Ao fazer de conta que não escuto, seus pensamentos e sentimentos ganham poder letal de perturbação, mergulhando-nos em diálogos torturantes e nos deixando menos responsáveis por nossas atitudes.

Só há uma escolha possível: trazê-lo para cima, sentar o “duplo” ao seu lado, perceber sua silhueta incômoda, reconhecer seus traços mal esculpidos, relembrar seu rosto familiar e aceitar sua verdade dilacerante. Mas para que tudo isso? Para algo muito valioso: voltar a ser um todo inteiro e não fragmentado, para oferecer ao outro e a este mundo a melhor versão possível de nós mesmos.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, FALANDO COM VOCÊ SOBRE PROPÓSITO DE VIDA E CARREIRA.

Comments

comments