Toda empresa tem Cultura. Em qualquer organização, independente do ramo ou porte, há uma Identidade presente. Ocorre, porém, que nem sempre ela é consciente e intencional. O dia-a-dia forja Valores & Comportamentos que, por vezes, não são aqueles que líderes e liderados optariam por escolher. Aí reside a diferença entre empresas que não jogam luz sobre suas Culturas, e outras que buscam decodificar seu DNA com intencionalidade. Estas últimas têm o que podemos chamar de Cultura Forte.

Culturas Fortes são aquelas Definidas, Explícitas, Intencionais, Conscientes, Comunicadas, Conhecidas e com espectro Multistakeholder. Nelas, os Elementos da Cultura encontram-se expressos: o Propósito, para sinalizar a razão de ser da empresa; a Missão, para evidenciar o que fazer e quais as maiores prioridades estratégicas; a Visão, para orientar a todos rumo a um futuro desejado; e os Valores, para direcionar como guiarão as ações e escolhas ao longo desta jornada. Ao expressarem com nitidez tais Elementos, organizações com Cultura Forte também cuidam dos chamados Artefatos: Comportamentos, Símbolos e Sistemas, alinhando-os ao Propósito, à Missão, à Visão e aos Valores.

Tudo isso garante uma Cultura Saudável? Nem sempre. Para tanto, a organização dependerá de características adicionais em sua Identidade. Culturas Saudáveis são aquelas que, além de Fortes, são Singulares, Significativas, Inspiradoras, Admiradas, Engajadoras, Presentes e Praticadas coerentemente, dia e noite. São empresas que conseguem expressar o que há de único e distintivo em seu DNA. Evidenciam que seu Propósito está ancorado em causas relevantes e, por isso, engajam e inspiram os que interagem com ela, em uma relação comparável a de fãs, mais do que apenas stakeholders. Em organizações assim, percebe-se a Cultura em tudo: no ambiente físico, nas políticas, nos processos e, sobretudo, no comportamento das Lideranças, que falam e agem como modelo exemplar e inspirador da Cultura.

James Heskett, professor de Cultura Organizacional na Harvard Business School, autor do livro The Culture Cycle: How to Shape the Unseen Force that Transforms Performance, qualifica tais organizações como Culturas Efetivas, por serem não apenas Fortes, mas igualmente Saudáveis. Nelas, o maravilhoso efeito colateral é na performance, ou seja, ter Cultura Efetiva garante resultados superiores. Esta é uma evidência que Peter Drucker já propagava, de que cuidar da Cultura é tratar daquilo que assegura verdadeira vantagem competitiva. Pode-se copiar tudo de outra empresa, menos sua Identidade, seu DNA, sua alma, sua Cultura, seu jeito de ser e de fazer.

Em Culturas Efetivas, a performance é melhor pela nitidez do que está definido: todos sabem por que fazem o que fazem, pois há um Propósito altamente significativo, que captura mentes e corações; compreendem o que é mais importante fazer, pois há uma Missão que faz sentido; enxergam para onde querem ir, pois há uma inspiradora Visão de futuro; entendem como devem se comportar, pois há Valores compartilhados; e a organização sabe com que Pessoas e Times deseja caminhar, pois há um modelo de Competências baseado na Cultura e na Estratégia.

É fácil compreender o motivo pelo qual estas organizações são bem sucedidas em atrair e engajar os melhores Talentos:

1) porque há clareza quanto aos Valores e Comportamentos esperados;

2) porque se gasta menos tempo em discussões sobre o que é prioridade, dado que o relevante a definir já é conhecido e compreendido por todos;

3) porque há redução na fadiga, na tensão e no estresse, pela qualidade superior do ambiente, dos debates, dos diálogos e dos relacionamentos.

São fatores que reforçam a associação entre Cultura e Performance. Para o professor Heskett, Culturas Fortes e Saudáveis (ou seja, Efetivas) são caracterizadas pelo que ele denomina de os 4Rs:

1) Referências: alta proporção de novos colaboradores recomendados por atuais e antigos colaboradores.

2) Retenção: baixo custo com recrutamento, admissão, treinamento e baixa perda de produtividade, em razão da alta lealdade do colaborador.

3) Retorno: alta produtividade para cada Real gasto com salários.

4) Relacionamento: ótimas relações com clientes fiéis, baixo custo com prospecção de novos clientes e maiores vendas.

E que cenário esperar quando não se tem Culturas Fortes e Saudáveis? Alguns sinais evidenciam o que Heskett chama de Culturas Rastejantes, ou seja, o avesso das Culturas Efetivas:

1) Inabilidade para lidar com a realidade nua e crua.

2) Paralisia do processo decisório em situações complexas.

3) Perda de velocidade e agilidade em executar a Estratégia.

4) Preferência por debater questões periféricas ao invés de encarar os fatos.

5) Tendência para “matar o mensageiro de más notícias” ou censurar discussões relevantes, sempre que não forem “agradáveis” e positivas.

6) Inabilidade e falta de interesse para lidar com membros da equipe que violam Valores & Comportamentos, o que corrói o engajamento dos melhores colaboradores.

Trabalhar a Cultura é ação prioritária da Liderança. Não há, na minha experiência, maneira mais recomendável para engajar de corpo e alma todas as partes interessadas, bem como para transformar a sociedade e a vida das pessoas, com organizações cada vez melhores e mais úteis ao Mundo.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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