Não. Este não é um texto pornô. Esta é uma reflexão a respeito de quando as organizações se tornam brochantes, sem qualquer atratividade e “sex appeal”, em função de 6 fatores:

  1. Seus líderes são incoerentes entre a fala e a atitude. Por isso, não engajam nem inspiram.
  2. Os Valores declarados são somente peças de comunicação, inócuas e descoladas da realidade vivida.
  3. A empresa não obedece ao devido rigor ético com as leis em geral. Mete-se, invariavelmente, em “curtos” caminhos “longos”.
  4. A reputação de seus produtos e serviços é ruim. O compromisso com qualidade e atendimento é frouxo e falho.
  5. O clima organizacional é péssimo, as relações interpessoais são destrutivas e o descuido com as pessoas é a regra.
  6. Os resultados comerciais, econômicos e financeiros são negativos, como efeito colateral das razões anteriores.

Ao entrar nestas empresas – ou ao lidar com elas, de algum modo – o que percebemos, mesmo que inconscientemente, é a ausência de Eros: o deus do amor e do desejo. Quando falamos em uma organização nutrida por Eros – ou “erótica” – lembramos das empresas capazes de transformar clientes em fãs, fiéis e ardorosos. São “advogados” destas marcas, assim como seus colaboradores, que não apenas trabalham lá com engajamento, mas que recomendam a seus amigos e parentes que trabalhem lá. São pessoas com disposição para assumirem diferentes papéis com a empresa: são funcionários, tornam-se clientes e ainda serão capazes de investir seus salários e bônus em ações das empresas onde estão empregados.

Qual é o caminho para construir uma organização erótica, capaz de despertar nos stakeholders o desejo e a vontade de fazer parte da sua jornada?

Primeiramente, imagine contextos opostos aos seis itens acima. Líderes que servem como exemplo de coerência entre a fala e a ação, Valores que são praticados e não apenas discursados, melhores práticas de governança ética e compliance, reputação de qualidade, confiança nas relações e performance bem sucedida. Tais empresas produzem, com muita justiça, alta atratividade organizacional junto aos seus stakeholders. Não faltarão interessados em apoiar a construção do futuro nesta empresa, com muito engajamento.

Organizações eróticas têm Propósito significativo, ancorado em causas relevantes e conscientes para o impacto que provocam nas pessoas e na sociedade. Não são movidas pelos indicadores ou pela performance, mas seus controles indicam resultados positivos em razão do alto significado de suas crenças e de seus Valores. São, em resumo, marcas admiradas, desejadas e atraentes. São cheias de Eros.

Lanço aqui um desafio a você. Repare na Visão de Futuro de inúmeras empresas e note como a maior parte dos textos informará que a empresa:

  • deseja se tornar líder e referência em seu setor
  • quer oferecer retorno superior ao acionista
  • promete crescer e gerar resultados sustentáveis

O que há de atraente nisto? Honestamente, alguém acredita que retorno ao acionista é excitante? Partindo destes critérios, você já será capaz de englobar mais de 90% das empresas. Todas dizem a mesma coisa. Um verdadeiro oceano vermelho de mesmices e proselitismo sem alma.

Organizações eróticas possuem uma Visão de Futuro inspiradora e aspiracional. São retratos de sonhos altos, arrojados, transformadores, massivos, disruptivos e muito relevantes para o Mundo.

Um exemplo admirável é a Singularity University (California), que a partir das suas experiências de aprendizagem focadas em inovação vislumbra empoderar seus alunos a desenvolverem ideias e projetos capazes de impactar 1 bilhão de pessoas em 10 anos. Imagine isso: cada aluno que sai da Singularity volta ao seu País em condições para impactar 1 bilhão de pessoas com inovações relacionadas aos grandes temas de humanidade neste século… Sinceramente, fico com a alma ereta!

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

 

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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