Estar em transição de carreira é algo desafiador. Mas tem uma postura que torna tudo mais difícil: aquela atitude de “vão me escolher”. Meu ponto é o seguinte: viver a transição é uma ótima ocasião para reafirmar suas escolhas. Claro, alguém no final das contas escolherá você, porém na mesma medida em que você também os escolherá. Lembre-se: nossa felicidade depende das escolhas que fazemos.

Ninguém passa por mudanças apenas de carreira. Seja lá o que acontece em nossa jornada profissional, causa impactos na vida pessoal. Seja lá o que ocorre em nossa vida pessoal, provoca reflexos em nossa carreira. A transição é um bom contexto pra lembrar que vida e carreira compõem um binômio inseparável. Você ficará de bem com suas escolhas se elas ampliarem significado para sua vida, e não apenas para sua profissão.

Pense em como a transição é importante para você se reconectar com sua biografia, com tudo aquilo que te trouxe até aqui. Perceba como construiu crenças que o alavancam, bem como outras que o limitam. Por vezes, cristalizamos de modo inconsciente aquela ideia de “eu posso, eu consigo e eu mereço”. Há crenças, todavia, que dialogam negativamente: “eu não posso, não consigo e não mereço”. A transição é a circunstância propícia para reafirmar seus valores, as coisas das quais não quer se afastar, aquilo que você não negocia, não abre mão. Lembre-se de que as maiores mudanças que teremos coragem de fazer são aquelas que buscam preservar o que é valioso e que não queremos perder. “Quais são os meus valores?” Na transição, retomamos esta pergunta e reaprendemos sua resposta.

Neste momento, em um Brasil em marcha ré, muitos perdem seus empregos. Como devem se movimentar no mercado aqueles que se encontram em transição de carreira? Que alvos devem focar?

Mande seu currículo para empresas de recrutamento e headhunters, mas não coloque toda sua esperança nesta alternativa. A verdade nua e crua é que essas empresas, em sua maioria, não têm simpatia por indivíduos em transição. Preferem “caçar” talentos que já estão empregados. Não despreze este caminho, mas não espere grandes resultados dele.

A realidade da transição de carreira bem sucedida evidencia que o network pessoal é a melhor alternativa para sua recolocação. Valerá o tempo investido em contatos com sua rede, não só de amigos, mas de relacionamentos construídos profissionalmente. Pense na quantidade de fornecedores, clientes, acionistas e colaboradores que orbitavam em torno das empresas onde você trabalhou. Serão apoiadores especiais aqueles que o conheceram pessoalmente, que sabem das suas realizações, que têm referências sobre suas habilidades. Na minha experiência, cerca de 80% das recolocações vem do network do indivíduo. Por isso, não poupe nenhum destes contatos, até porque às vezes o apoio e a oportunidade vem de onde menos esperávamos.

E sobre a entrevista de emprego? O que aconselho? Sabe, esse assunto é difícil de abordar, sobretudo por um motivo: não se pode prever o que sairá da cabeça do seu entrevistador… aliás, conheço histórias malucas, de perguntas pra lá de inusitadas, sem sentido e nem um pouco pertinentes. Por isso, meu conselho a você é fazer a sua parte, da melhor forma. Primeiramente: levando para a entrevista a melhor versão de você mesmo. A menos que sua pretensão seja a carreira artística, não tente ser quem você não é. Fale somente a verdade sobre você e sua biografia profissional.

Não fique apenas naquela posição reativa, esperando a próxima pergunta. Na medida do possível, coloque-se mais em bate papo, e não como um elemento sendo inquirido pelo delegado de polícia. Faça perguntas sobre o mercado onde a empresa atua, seu ambiente competitivo, a estrutura organizacional, a visão de futuro que a liderança tem para o negócio e questione seu interlocutor sobre os fatores mais relevantes para o sucesso. Pesquise sobre a empresa, seu ramo e seus negócios. Boa parte da percepção que construímos vem da qualidade das perguntas que fazemos.

Ao falar sobre seu histórico de carreira, lembre-se de que o mais importante é destacar suas realizações. Evidencie suas entregas mais relevantes, o que concretizou por onde passou. Nosso DNA profissional se esconde em nossas realizações. Com isso deixará claro o conjunto mais expressivo dos seus conhecimentos, das suas habilidades e atitudes que moldam suas competências centrais.

E você? Qual sua experiência com mudanças e transições? Compartilhe conosco sua história.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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