A expressão “team building” virou sinônimo de dinâmicas infantis, que começam no nada para terminar no lugar nenhum. Na melhor das hipóteses, pinta uma árvore pra abraçar, o que é prazeroso, mas pouco assertivo.

Trata-se de uma imagem cruel, porém justa em boa medida, pois invariavelmente a prática de trabalhos de Time se confunde com gincanas e joguinhos “outdoor” que, embora divertidos, falham em responder as seguintes perguntas:

  1. o que faz um grupo se tornar um Time?
  2. o que faz um Time atuar em alta performance?

Responder estas perguntam importa muito em razão da seguinte constatação: um dos maiores alicerces do engajamento depende do ambiente de trabalho relativamente à qualidade das relações interpessoais. Ou seja, ancora-se na experiência de se pertencer a um grupo com características de um Time de verdade, capaz de resultados extraordinários. E quais são elas?

Aqui segue minha lista favorita:

  1. O Líder é Corajoso: não se trata de nenhum super-herói. A palavra “coragem” se origina de “cor”, coração. Este tipo de Líder é cheio de coração no sentido da autenticidade do que expressa e da sua saudável capacidade de ficar vulnerável. Mais ainda, exibe uma inspiradora coerência entre pensar | sentir | agir. Em suas atitudes, trata-se de um modelo dos Valores & Comportamentos que reforçam a Cultura desejada. Assim, constrói um ambiente de confiança nas relações.
  2. O Líder é Removedor de Obstáculos: uma de suas prioridades é tirar as dificuldades da frente, eliminar barreiras, impedimentos, dificuldades e exigências que dificultam o trabalho da sua equipe. Tem um olhar permanente e ampliado para as condições ideais para um ambiente produtivo e eficiente. Acima de tudo, deixa todo mundo trabalhar e não atrapalha!
  3. O conflito produtivo de ideias é bem vindo: em Times de alta performance não se evita o desconforto interpessoal das conversas difíceis e poderosas. A fluência questionadora entre os membros da equipe é estimulada em todos e não causa melindres nem mágoas, inclusive porque se opera em torno de respeito e integridade.
  4. Propósito comum: o Time sabe a hora de debater, mas também domina a arte de dialogar. Ao pensamento divergente, próprio do debate, segue-se a convergência intrínseca ao diálogo orientado a um senso comum, a um propósito catalizador do espírito coletivo. Aqui, o Líder é mais uma vez o maestro a sinalizar o exemplo.
  5. As pessoas gravitam em torno de seus Talentos: há departamentos inteiros em que a conversa das lideranças prioriza os pontos fracos das pessoas. Não há clima organizacional que resista. Por outro lado, em Times de Alta Perfomance as pessoas são estimuladas a configurarem seus trabalhos em torno das tarefas em que são especialmente habilidosas. Trata-se de uma equipe em que suas lideranças fomentam a ampliação de consciência para os talentos individuais, ao invés do hábito ineficaz de emaranhar as pessoas em seus pontos fracos.
  6. Há uma forte cultura de accountability: quando as pessoas se acostumam a delegar seus trabalhos para seus Chefes, cria-se um reforço para o baixo nível de responsabilização. Em Times de Alta Perfomance existe uma forte cultura de prestação de contas, onde todos se cobram pelos resultados, independente de cargo ou nível hierárquico. O Time joga falando, fala jogando e com Feedback o tempo todo.
  7. O Time tem Rituais de Gestão disciplinados: para governar as ações que garantirão o cumprimento da missão a qual se propôs o Time, definem-se todas as reuniões de trabalho com periodicidade, duração, escopo e participantes claramente definidos. Fazer muitas reuniões não é um mal em si. Não ter muitas reuniões também não será obrigatoriamente uma boa notícia. Ter um conjunto bem dimensionado e focado de reuniões capazes de governar as macroações mais relevantes será um sinal de eficácia e eficiência.
  8. Há um painel claro de indicadores: o Time reserva um olhar de lupa e zoom para seus indicadores estratégicos, analisados recorrentemente em seus Rituais apropriados, em um esforço de melhoria contínua.
  9. Forte atenção aos Resultados: em Times de Alta Perfomance não há espaço para brigas de egos e disputas movidas por status pessoais. Nestas equipes, o Líder reforça a consciência de que qualquer sucesso individual é efêmero e não resiste ao fracasso coletivo.
  10. Pessoas tensionadas por desafios: nestas equipes, o espírito é de aprendizagem constante, possível porque o Líder assegura que seus talentos estejam permanentemente desafiados no limite dos seus níveis de prontidão, pois é neste estado de tensão criativa que as pessoas crescem pessoal e profissionalmente.

Na minha experiência, são evidências claras de um grupo que se tornou Time. E um Time em Alta Perfomance. Um dos efeitos colaterais mais importantes será o nível superior de comprometimento das pessoas, ao pertencerem a uma equipe com a qual se identificam, onde as relações são de confiança e a reputação é positiva em razão dos resultados extraordinários. Por isso, estou cada vez mais convencido de que as pessoas se engajam com seus Líderes e com as demais pessoas. O contrário também é verdadeiro: os melhores talentos se demitem dos seus Líderes e colegas de trabalho, e não da empresa e de seus cargos.

E você? Qual sua experiência neste tema? Compartilhe aqui comigo.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

Comments

comments