Já faz mais de 13 anos que trabalho com Coaching. Conheci inúmeros indivíduos, de todos os perfis. Alguns, caminhando para uma vida boa e plena. Outros, girando e girando, fazendo mudanças de modo instável à procura de plenitude e realizações que nunca os alcançam. Então, que características diferenciam o primeiro e o segundo grupos? A resposta: autoconsciência.

A distância entre estes dois tipos de pessoas está muito pouco no grau de instrução formal, ou no quão notável é sua titulação acadêmica. Aqueles positivamente preenchidos pela vida sabem do que são feitos, conhecem as forças que os movem, admitem os aspectos sobre si mesmos que relutam em aceitar e guiam suas jornadas por um Propósito. Por vezes, não sabem transformar em palavra, ou em repostas bem empacotadas, que Propósito é esse, mas ao se colocarem em sua busca já fazem o que precisam fazer: nutrem seus caminhos com esta procura, que talvez leve a vida inteira. Para eles, sentir-se na busca já é grande recompensa. Servir o mundo por meio dos seus dons naturais e dos seus maiores talentos torna-se uma forma concreta de honestidade consigo, com o outro e com o mundo. Perceber com nitidez que impacto eles causam nas outras pessoas, à luz do impacto que desejam causar, serve de bússola a guiar suas ações e escolhas. Isto tudo dá sentido e significado, e até mais sacrifício são capazes de assumir, porque cada vez mais suas caminhadas ganham um porquê valioso.

Do outro lado, há pessoas perdidas em si mesmas. Giram como parafusos cegos e buscam encaixe em buracos diferentes de suas geometrias originais. São talentosas para certos desafios, mas estão emaranhadas em seus pontos fracos, com escolhas que os distanciam de suas vocações. O centro de gravidade de suas vidas é movido por forças destrutivas e dolorosas para si e para os demais ao redor: medo, negação, raiva, ressentimento, culpa, vergonha ou tristeza. Não raro, tais forças se misturam em horroroso conluio: têm medo de ter raiva, raiva de ter culpa, culpa de ter vergonha, etc. São várias as combinações e nenhuma delas planta algo positivo e produtivo no indivíduo. São emoções que se tornam forças exatamente porque agem na escuridão do seu desconhecimento, da não integração à consciência. São nefastas porque são repelidas. Uma vez trazidas à superfície, perdem sua capacidade letal de perturbação, como dizia Jung. Mas isto não ocorre com estas pessoas, que teimam em colocar estas emoções na contramão da consciência, socando-as em seus porões, imaginando que de lá não causarão aborrecimento. Que tolo engano!

Há um dado pernicioso na vida destes indivíduos. Veja este exemplo: alguém pode sofrer de solidão. Receia de que as pessoas possam ignorá-lo, não enxergarem seu real valor e como são dignos de admiração. Tomados por este torturante diálogo interno, oferecem às pessoas ao redor distanciamento, desconfiança e desencantamento. Resultado: aumentam sua solidão, reforçando exatamente o destino que mais querem evitar. Ou pense na pessoa que acredita que toda vez que estiver em paz com seu cônjuge, algo de ruim ocorrerá e os mergulhará em desarmonia. Seu nível de ansiedade negativa aumenta quando estão em paz e alegria, suas atitudes empobrecem e sua presença de corpo e Alma diante da pessoa amada diminui e… surpresa! Algo de ruim certamente acontecerá, reforçando sua crença limitante: a desarmonia é uma constante em sua vida! Um ciclo tremendamente autossabotador, que só pode ser interrompido por um caminho: o da autoconsciência. Quer ela venha por Coaching, Mentoring, Terapia ou qualquer jornada de espiritualidade, não importa, são todas alternativas benéficas porque trazem ao indivíduo aquilo que ele precisa: fazer escolhas conscientes e se sentir responsável por elas. Desse modo, então, criará o destino que mais deseja!

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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