Quando você aperta o botão de pausa em uma máquina, ela pára. Mas quando você aperta o botão de pausa em um ser humano, ele começa a funcionar. Como disse certa vez Ralph Waldo Emerson: “Em cada pausa, escuto o chamado.”

Alguns consideram “Mindfulness” sinônimo de meditação. Não é. A melhor tradução para Mindfulness é “Atenção Plena”, sendo que meditar é um dos caminhos para experimentá-la, mas não é o único. Fazer exercícios físicos e atividades que estabeleçam pontes entre nossa razão e emoção também favorecem a Atenção Plena.

Em geral, nunca estamos onde estamos. Quando estamos aqui, nossa mente divaga para algum lugar do passado ou para algo lançado ao futuro, mas nunca no presente. Ficamos ausentes de nós mesmos, para os que estão ao nosso redor e para a vida. Assim será sempre difícil ser produtivo e estabelecer relações significativas comigo, com o outro e com o Todo ao redor.

Faça sempre a pergunta a si mesmo: “estou presente?”. Ponha atenção focada na inspiração e na expiração. Faça barulho com sua respiração, para “calar a boca” da voz que tagarela em sua cabeça. Em seguida, repita a si mesmo esta sequência de perguntas e respostas, que estão no filme O Poder Além da Vida:

Onde você está? Aqui.

Que horas são? Agora.

Quem é você? Este momento.

Trata-se de um exercício que ajuda a experimentar Mindfulness.

Mas não são apenas estes os benefícios da Atenção Plena. Quero destacar aqui outros dois: maior foco e mais conexão com nossa verdade.

Exercícios de respiração e meditação, quando praticados com alguma disciplina, produzem equilíbrio e inteligência emocional. Como afirma Daniel Goleman, em seu livro Foco: “Os centros cerebrais para o aprendizado operam em seu ponto máximo quando estamos focados e calmos. À medida que ficamos perturbados, esses centros trabalham com eficiência cada vez menor. Presa de uma agitação extrema, a pessoa só consegue focar na fonte da sua inquietação e a aprendizagem é desligada”. Note como isto tem tudo a ver com nossa maior ou menor possibilidade de oferecer respostas novas e criativas.

A prática de Mindfulness exercita a habilidade de prestar atenção em como prestamos atenção. Algo essencial para nosso nível de felicidade. Para Paul Dolan, autor de Felicidade Construída, “sua felicidade é determinada pela maneira como você aloca sua atenção. Aquilo a que você presta atenção conduz seu comportamento e determina sua felicidade”. Você tem uma quantidade limitada de energia atencional e será mais feliz, eficiente e saudável se souber focá-la da maneira apropriada, aberta e não-julgadora.

Um ganho que obtemos com a prática de Atenção Plena tem relação com a maior conexão com nossa essência e nossos maiores valores.

O brilhante professor e escritor polonês Zygmunt Bauman afirma em seu livro A Arte da Vida: “os valores são mensurados pelos outros valores que devem ser sacrificados para obtê-los”. Pense: o que você topa negociar, abrir mão, em troca de quais outras coisas? O que você concorda postergar para o futuro, em prol de algo que você quer agora? Nas respostas a estas reflexões você encontrará seus valores. Na reflexão mais inspirada, sentirá com mais profundidade seus valores.

Conhecer e compreender seus valores implica direcionar de modo consciente suas atitudes e escolhas. Faça uma retrospectiva e relembre os momentos mais importantes da sua vida pessoal e profissional até hoje. Pergunte-se: como agi em cada um daqueles instantes? Como me decidi? Como escolhi o que fazer? Não importa se suas ações deram ou não certo naquela época. O importante é explorar o que o movia, o que direcionava suas ações. Por trás de cada resposta, residem seus valores, aquele conjunto de coisas que guiarão você na direção do futuro que escolherá viver.

Mindfulness pressupõe um contato natural e suave com estas verdades.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

 

 

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