A resposta: NÃO e SIM. Não, se alguém pensar nisto de forma literal, em um código genético especial para aqueles que inovam. Sim, se você levar em conta um “DNA Comportamental”, dado que inovar depende fortemente de competências comportamentais. Vamos pensar primeiro em organizações e ambientes inovadores.

Era final de um evento, quando o presidente de uma importante empresa me puxou pelo braço e perguntou: “Responda rápido: qual a melhor medida para se ampliar o engajamento em uma empresa?”. Não hesitei na resposta: “Envolva as pessoas em Programas de Inovação”.

Em contextos em que as mudanças seguem exponencialmente, inovar não será apenas muito necessário, mas também um caminho para ampliar o engajamento. Isso porque inovar implica envolver as pessoas na busca por novos significados. Pressupõe inquietar saudavelmente, quando falamos a linguagem da alma, que não aceita nada que não seja a maior e melhor possibilidade de futuro.

Despertar a alma eleva as pessoas a um nível superior de comprometimento. Elas não se sentem apenas “trabalhando”, mas fazendo parte de algo maior do que elas mesmas. Isto muda o jogo! E isto é possível quando abrimos espaço para que busquem conexão com tudo aquilo que para elas têm forte significado pessoal.

Diante de incertezas e instabilidades, as organizações mais inovadoras do mundo trocam seus planejamentos estratégicos de 3 ou 5 anos por planos mais curtos, de 1 ano, por exemplo. Ao invés de procurarem apostar em algum cenário específico, fortalecem o compromisso de todos em torno de poucas e importantes metas, bem como abrem espaço para algo com chance real de mudar o jogo: a Experimentação.

A prática de Experimentar é relevante para todo tipo de empresa, das startups às empresas maduras, inclusive aquelas que são líderes e bem sucedidas em seus setores, pois o sucesso é um péssimo professor. Ele nos induz a achar que o futuro será uma extrapolação do passado. Péssima premissa. A maioria dos esforços de planejamento buscam aumentar o controle e a previsibilidade, ou seja, imaginam ambientes estáveis. Onde existe hoje estabilidade e previsibilidade? No cemitério!

A Experimentação abre espaço para as inovações mais disruptivas, não apenas em produtos, mas também em serviços, modelos de gestão e modelos de negócios. Experimentar elimina outro inimigo do progresso: a intolerância ao erro. Ao criar ambientes e temas específicos para testes e prototipagens, a empresa fomenta o ambiente empreendedor e a saudável ousadia que antecipa o futuro. Empresas como a P&G e a Tata, por exemplo, são conhecidas pelo estímulo à Experimentação. Possuem programas para homenagear colaboradores e equipes que tiveram o maior fracasso que gerou a maior descoberta. O lema dessas empresas é “vamos errar logo, e o quanto antes, para acertar mais rapidamente”. Como diz Nassim Taleb a este respeito: “O conhecimento oferece uma pequena vantagem, mas a experimentação (tentativa e erro) é o equivalente a mil pontos de QI”.

Clayton M. Christensen e Hal Gregersen, autores do excelente livro “DNA do Inovador”, afirmam que os inovadores desenvolvem seu potencial quando praticam as chamadas “Discovery Skills”, ou “Habilidades de Descoberta”, que são 5:

  1. Associar: combinar e misturar pessoas, metodologias, ideias, áreas, produtos e serviços diferentes para fomentar resultados inéditos.
  2. Questionar: pessoas inovadoras buscam a pergunta antes da resposta, com fluência e provocação criativa ao status quo.
  3. Observar: experimentar a jornada do cliente com todos os sentidos, e não apenas com os olhos, para sentir, vivenciar e redesenhar não apenas produtos e serviços, mas experiências como um todo.
  4. Experimentar: inovar pressupõe “pensar com as mãos”, fazer aprendendo, aprender fazendo.
  5. Criar Networking: pessoas inovadoras criam redes de relacionamentos com pessoas diferentes delas mesmas, com outro universo de conhecimentos e experiências, a fim de testar novas ideias com elas.

Note como todas estas habilidades podem ser ensinadas, aprendidas, treinadas e desenvolvidas. A boa notícia é que ampliar este DNA Comportamental da inovação está ao alcance de todos.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

 

 

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