Muitos se encontram agora sem emprego. Para alguns, tem sido difícil voltar ao mercado de trabalho. Para outros, voltar para a vida corporativa e ser empregado novamente soa como terrível pesadelo. Empreender, então, se torna uma opção. Mas qual meu principal conselho?

A importância da experiência anterior no ramo

Já empreendi por conta própria e aconselhei muitos neste caminho. E não tenho dúvida em afirmar que empreender em um ramo em que tenhamos alguma experiência anterior é o fator chave de sucesso. Você foi empregado naquele setor, prestou serviços como autônomo ou consultor, não importa. O que é relevante é ter vivenciado o ambiente de negócios, conhecer as regras do jogo, os tipos de jogadores, suas vantagens e desvantagens e as variáveis de sucesso. Qual a sazonalidade? Qual a principal deficiência das empresas atuantes? Quantos fornecedores existem e quais as condições comerciais vigentes? Você conhece as equações de custos, preços e margens neste setor? Que inovação em produtos, serviços, modelos de negócios e de gestão fariam toda diferença neste ramo? Conhecer estas informações será decisivo para você empreender com chances de êxitos.

É comum surgir esta dúvida durante a transição: será que devo abrir um negócio próprio ao invés de tentar outro emprego? Esta é uma reflexão útil. E, pessoalmente, sou muito simpático às carreiras empreendedoras. Mas preste atenção a estes alertas.

Os empreendedores que já fracassaram costumam dizer que, da próxima vez, escolherão ramos para os quais tenham alguma experiência anterior. Enfim, empreendem em negócios em que reuniram conhecimentos e habilidades que fazem a diferença na hora de empreender por conta própria.

Quero trabalhar em outro setor, quero mudar!

Você pode então dizer: “Rogério, mas eu quero mudar de paisagem, quero trabalhar em outro ramo”. Ok. É uma pretensão legitima. Mas se este for o seu caso, lembre-se de que empreender fora da sua área de experiência implica em risco. E empreendedor bem sucedido gosta mais de desafio do que de risco.

Para diminuir o risco, você tem algumas alternativas:

1) comprar uma franquia, pois são negócios já testados e formatados;

2) abrir um negócio em sociedade com alguém que tenha exatamente a experiência que te falta;

3) entrar de sócio em alguma empresa já existente no ramo em que você pretende atuar.

Abrir algo totalmente novo e sozinho, em um ramo em que sua experiência seja nenhuma ou muito pequena, será certamente a via mais perigosa.

Empreender ama desafio e detesta risco

Você pode se lamentar e dizer: “não tenho perfil empreendedor, sou muito ponderado, gosto de planejar e sou avesso a riscos”. Será que estas características o desqualificam mesmo?

O mito do empreendedor pressupõe alguém visionário, corajoso, arrojado, audacioso e super disposto a correr riscos. Você não acha esta uma combinação muito singular, que faz deste indivíduo um ser quase de outro mundo? Esta definição não apenas gera em nós uma crença limitante – “ah, isso não é pra mim…” – como também confunde conceitos bem diferentes. Veja, empreendedores de sucesso amam desafio, mas detestam o risco pelo risco. Adoram ambientes de experimentação e prototipagem, pensam com as mãos e têm disposição para errar antes dos concorrentes, para serem os primeiros a acertar. Enquanto avançam eles calibram a mira, afinam os instrumentos e qualificam seus times para que as chances de acertar sejam sempre maiores do que fracassar. Enfim, nunca confundem riscos com desafios!

Quando a franquia é uma opção?

Tenho recebido mensagens de pessoas em transição de carreira que não querem – ou não conseguem – voltar ao mercado como executivos ou empregados. A opção para elas é empreender por conta própria.

Nestes casos, sempre recomendo que escolham setores nos quais já possuam alguma experiência anterior. Empreender em um ramo onde já trabalhei – como funcionário ou prestador de serviços – reduzirá o risco. Mas há pessoas que desejam uma mudança maior: querem seguir para novos setores, conviver com gente nova, desafios novos. É uma pretensão legítima, mas de maior risco. Como diminuir a chance de fracasso, ao se empreender em ramos onde não temos experiência anterior? A franquia é a melhor alternativa.

Você não precisa conhecer o produto e o serviço, dado que o negócio é formatado pelo franqueador. Mas recomendo que abra a franquia em uma região conhecida por você. Isto será vantajoso. Pesquise tudo o que puder sobre as lojas próprias do franqueador, converse com atuais franqueados para entender sua realidade e como recebem apoio do franqueador quando o “calo” aperta. Não deixe de entrevistar ex-franqueados, para compreender o que deu errado com eles e revise o planejamento financeiro com o franqueador com muita atenção. Uma pesquisa bem feita tornará a franquia uma excelente alternativa de carreira.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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