Nem todo Empresário é Empreendedor. Nem todo Empreendedor é Empresário. Ser Empresário pressupõe ser dono da Empresa. Mas ser Empreendedor depende de um conjunto de atitudes, que você pode desenvolver, sendo ou não o dono da empresa. São os chamados “Intraempreendedores”.

Estes profissionais têm um lema: “é melhor pedir perdão do que permissão”. Sabem que toda organização tem imunidade à mudança, um verdadeiro sistema imunológico, que barra mudanças. O único jeito é avançar, quebrar o status quo, questionar algumas regras. As empresas podem até se declarar inovadoras, mas a verdade é que todas, em alguma medida, criarão resistência ao novo. Os intraempreendedores sabem disso e, portanto, buscam alianças com outras pessoas que possam apoiar e patrocinar suas ideias e projetos.

Não perguntam se vai funcionar, mas sim como fazer funcionar. Buscam iniciativas alinhadas aos seus Valores e soluções que têm para eles alto Propósito. Gostam de aprender fazendo, fazer aprendendo, com uma mentalidade sempre em “beta”.

Em resumo, listo abaixo 15 comportamentos que caracterizam os intraempreendedores:

  1. Comprometimento com projetos que têm para eles um significado pessoal poderoso.
  2. Procuram transmitir o grande significado do projeto para todos os demais, evangelizá-los, evitando que pareça apenas um desafio pessoal. Esforçam-se para contagiar os demais.
  3. Disposição para o desafio de transformar um conceito e uma ideia num negócio e numa realidade. Não ficam elucubrando um mundo novo dentro de um laboratório. Sua ação é para concretizar, botar para fazer, realizar.
  4. Cruzam as fronteiras da organização (pois querem interagir com as pessoas mais talentosas, não importando em que áreas trabalham) e assumem a responsabilidade por todos os aspectos do projeto.
  5. Preferem símbolos de liberdade ao invés de símbolos de status (são mais iniciadores do que gestores). Adoram pular de um projeto para outro.
  6. São menos motivados pelo poder do que os executivos (são mais motivados por realização). Não vamos motivá-los oferecendo belas salas e cargos pomposos. Eles querem estar livres para empreender em seus trabalhos e contar com o apoio da organização para testar e experimentar coisas novas e inovadoras.
  7. Gostam de dinheiro, mas seus ganhos são uma medição das suas conquistas, e não as conquistas em si.
  8. São “gerentes gerais autonomeados” de um projeto que ainda não existe. Por vezes, delegam para si mesmos aquele desafio, sobretudo pela alta conexão com seus Valores e com seu Propósito pessoal.
  9. Dedicação obstinada à sua ideia com alto nível de exigência consigo e com os demais.
  10. Impaciência, inquietude e uma certa falta de respeito pela tradição. Frases do tipo “isso nunca foi feito aqui antes” ou “sempre fizemos assim” não inibem sua ação.
  11. Enfrentam o fracasso não como desastre, mas como uma experiência de aprendizado e um “atraso temporário no cronograma”.
  12. Desejam liberdade e acesso aos recursos da empresa para financiar suas ideias e iniciativas.
  13. Esforçam-se para fazer com que os demais concordem com sua visão.
  14. Trabalham de forma clandestina o máximo que puderem – sabem que a publicidade aciona o mecanismo de imunidade da corporação. Sabem que se dependerem das autorizações e permissões formais, a inovação morrerá. Avançam até que a ideia surja como um fato consumado.
  15. Honram seus patrocinadores, que procuram em todos os níveis da organização: superiores, pares, liderados e demais stakeholders-chave, internos ou externos.

Difícil encontrar alguém que reúna todas estas 15 características. Mas certamente há pessoas com algumas delas. Não é possível liderar uma empresa somente com pessoas com este perfil, mas será inimaginável ampliar a força competitiva e a viabilizar oceanos azuis sem profissionais com estas atitudes.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

 

Comments

comments