Não há exagero nesta afirmação: grandes ícones do empreendedorismo brasileiro estão com reputações em chamas. Nomes que até hoje eram reverenciados como heróis em congressos e seminários no Brasil e no exterior, agora estão presos ou negociando liberdades condicionadas a delações-bomba, tornozeleiras ou fianças.

Precisamos com urgência refundar o empreendedorismo no Brasil. Professores, estudantes, Empresas Juniores e entidades com relevância nesta causa, como Endeavor e Sebrae, precisam se envolver em uma reconstrução de premissas fundamentais que precisam inspirar o verbo empreender no Brasil com outros significados.

Novos mitos, símbolos e exemplos devem servir para reorientar a fala e o comportamento daqueles que já empreendem e dos demais que pretendem fazê-lo no futuro.

Nossas referências atuais estão comprometidas. O Brasil não merece pouco, nem sequer símbolos repletos de glamour, mas que não passam de elegantes farsas. Empreender depende de conhecimentos, habilidades e atitudes que não passam pela desenvoltura olímpica e sacana de maus empresários bem vestidos, porém movidos pelos piores valores que compartilham com políticos de todos os gêneros, espécies e raças.

Precisamos levantar a bandeira do que chamo há anos de Empreendedorismo de Significado, norteado pelos seguintes parâmetros:

  • Autoconsciência: parte imensa da crise que vivemos tem a ver com consciência. Ou com a falta dela. Precisamos nortear urgentemente a educação brasileira em todos os níveis por autoconhecimento, do ensino fundamental ao superior. De igual modo, autoconhecimento deve ser o principal tema para desenvolvimento das pessoas dentro das empresas, também em todos os níveis.
  • Propósito: nossas organizações precisam se ancorar em causas nobres e em objetivos aspiracionais quanto ao impacto que desejam conscientemente gerar nas pessoas, na sociedade e no mundo. Estudantes e profissionais em todas as áreas precisam se inquietar pela busca de Sentido e Propósito em suas vidas pessoais. Precisamos deixar para trás o mundo do emprego e mergulhar os brasileiros na busca por suas vocações.
  • Valores: consciência, ética, excelência e inovação devem ser valores centrais, em todos os setores e tipos de empresas. Precisam se tornar marcas registradas das empresas brasileiras e reorientar comportamentos.
  • Visão de Futuro: os Líderes de nossas organizações precisam Re-inspirar as pessoas e o país com uma visão de grande transformação, de novas premissas e de um futuro idealizado por sonhos grandes.
  • Liderança: cada indivíduo em cargo de liderança, quer seja coordenador, supervisor, gerente, diretor ou presidente, não importa, cada um deles precisa encarar o peso da responsabilidade de liderar, de como impactam as pessoas todos os dias. Os Líderes precisam agir como modelo inspirador do Propósito e dos Valores deste Empreendedorismo de Significado.

Vamos encarar a realidade: a crise em que nos metemos é complexa demais e hoje não temos razões para acreditar que a política nos trará uma saída inteligente, rápida e eficaz. Qualquer solução para o que vivemos passará pela transformação das nossas empresas, das relações que as pessoas têm todos os dias com seus trabalhos e Líderes. A chance que temos de viver algo verdadeiramente novo depende bem menos de novas eleições e das iniciativas de lideranças políticas e partidárias, mas muito mais do que construímos de valor em nossas relações diárias, de casa ao trabalho, e do trabalho de volta às nossas casas.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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