Em minha carreira como Coach, é sempre triste testemunhar duas situações:

  1. o indivíduo não sabe qual é o seu Talento
  2. o indivíduo sabe qual é seu Talento mas não o utiliza

Em ambos os casos, estas pessoas terão no máximo um emprego, mas não um Propósito, algo que possa ser experimentado como uma carreira inspirada por um sentimento de vocação. E como isto pode ser possível?

Nossa trajetória profissional é revestida de sentido e significado sempre que servimos o mundo por meio do nosso Talento. Para isto, deixo aqui 3 dicas para você ampliar consciência para tudo aquilo em que é especialmente Talentoso.

Dica #1: Experimentar

O processo de descobrir seu Talento (descobrir no sentido de “tirar a coberta de cima”) pressupõe necessariamente experimentar uma gama diversificada e ampla de atividades. Se você não experimentar, não poderá observar a si mesmo quanto aos pensamentos, sentimentos e comportamentos que surgem enquanto você vive aquilo. Não se descobre um Talento apenas por meio de uma reflexão teórica. Aprendemos sobre nós mesmos quando observamos nossas reações diante do desafio em si e das pessoas ao nosso redor.

Dica #2: Aprendizagem

Ao fazer e refazer alguma tarefa, você percebe um Talento quando responde afirmativamente as seguintes perguntas:

  1. ao fazer esta tarefa, percebo que ganho rápida eficácia, ou seja, consigo realizar e concretizá-la com razoável facilidade, com a sensação de que não precisei aprender a fazer, mas “lembrar” como fazer?
  2. ao fazer a tarefa, percebo que ganho rápida eficiência, ou seja, quanto mais faço e refaço este trabalho noto que consigo realizá-lo com a melhor equação de tempo e recursos?
  3. quanto mais faço este trabalho, mais me torno proficiente, com mais excelência e me torno uma referência naquele assunto para os demais ao meu redor?
  4. sempre que faço e refaço esta tarefa percebo que improviso, crio e inovo, adicionando meu jeito de fazer, ou seja, meus “truques e macetes”?

Dica #3: Flow

Sentir-se bem, esquecer-se de tudo e “desaparecer”. Sentir um “fogo interno”, uma eletricidade pelo corpo. Este é um jeito simples de explicar uma experiência de fluxo (FLOW). O que o coloca desta forma? O que o faz experimentar sensações como estas no mundo do trabalho? Que atividades em sua carreira têm o poder de provocar em você estes sentimentos? Nossos talentos encontram-se atrás destas tarefas que nos colocam em flow.

Quando vivemos flow, experimentamos as seguintes emoções:

  1. perdemos a noção do tempo
  2. perdemos a noção de dualidade
  3. obtemos feedback no mesmo instante
  4. sentimos que esta atividade tem sentido em si própria
  5. projetamos esta atividade no futuro

Vamos olhar cada uma destas sensações em separado.

Noção do Tempo

Atividades que nos põem em “flow” nos mergulham em nível intenso de atenção e concentração. Ficamos absorvidos de modo profundo, com foco e entrega. As horas passam e não percebemos. O relógio é esquecido e o tempo ganha outras medidas impossíveis de serem quantificadas em segundos, minutos e horas. Você está em outro lugar, onde o tempo funciona com outra lógica. Alguém dirá: “nossa… você está mergulhado nisto há mais de 3 horas!”. E você terá a sensação de que se passaram apenas alguns minutos. Algumas coisas nos deixam com a sensação de perda de tempo. Com outras, perdemos a noção do tempo.

Noção de Dualidade

Nossa realidade concreta é dual, mas nossa experiência emocional significativa é una. Em flow não se distingue onde você começa e onde termina a atividade que o absorve, tampouco onde ela começa e em que ponto você termina. Você e a atividade tornam-se uma mesma coisa. A sensação é de estar emaranhado a ela, de que você se desfaz naquilo, no mesmo instante em que aquilo se desmancha em você. Aquilo é você. Você se tornou aquilo. A percepção é de que neste lugar estão você, a atividade e o universo inteiro, sem a fragmentação típica da dualidade.

Feedback

Você não avalia o resultado, mas sente o resultado em seu corpo e em sua alma. Não há planilhas de avaliação que lhe darão a exata dimensão do que ocorreu. Você já sabe como foi. Sabe que foi excepcional. Você e a atividade trocaram feedbacks sem palavras. Sua entrega intensa torna-se o modo mais eloquente de dizer “foi ótimo!”. A experiência emocional igualmente profunda que a atividade proporcionou a você é sua linguagem para confirmar “foi mesmo ótimo!”. Aquela voz que todos temos em nossa mente nos diz, com saudável arrogância: “estamos arrasando… foi espetacular!”. Você não precisa de feedback. Você já sabe que foi fora de série.

Sentido

A última frase que você precisa ouvir é “isto vale a pena”. Ninguém precisa dizer que fazer aquilo é importante e tem significado. Enquanto você vive aquela experiência, a certeza de que vale a pena se constrói simultaneamente, ou seja, a consciência de que era mesmo para estar ali, de que aquilo faz sentido ainda que não se conheça o resultado. Estar absorvido nesta atividade se justifica e você não precisa ouvir isto de ninguém para sabê-lo.

Futuro

Você já sentiu saudades do futuro? Daquilo que ainda não aconteceu? Quando conversamos com pessoas que vivem experiências de “flow” elas relatam um sentimento de ansiedade do tipo “quando farei isto novamente?”, “quando a vida me chamará aqui de novo?”. Durante a própria atividade que o põe em “flow” há uma vontade de estar ali mais uma vez, em algum outro momento. No mesmo instante em que você se enxerga naquela atividade no futuro, planeja os “truques” e “macetes” que adicionará para fazê-la mais e melhor. Ou seja, você já idealiza modos de improvisar e inovar quando estiver novamente diante daquela experiência.

 

E quanto a você? Como pode usar estas dicas para descobrir seu Talento e colocá-lo a serviço do mundo? Compartilhe sua experiência comigo.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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