Com perdão da piada, só existe uma empresa que possui heróis e heroínas: a Marvel. Em todas as demais, o que encontramos são seres humanos, demasiadamente humanos.

A perfeição não é a característica esperada (e possível) de um Líder, mas sim sua credibilidade, alguém em que se pode confiar. Não é inteligente e eficaz projetar nas figuras de Liderança atributos que não vemos em nós mesmos.

Quanto à competência técnica, um Líder terá sempre os temas em que seu background é bom, onde transita confortavelmente. Mas terá um cardápio de outros assuntos alienígenas aos seus conhecimentos e habilidades. Para estas outras questões, sua inteligência estará na capacidade de atrair e engajar pessoas mais talentosas do que ele. Nas competências comportamentais, o desafio será o de montar Times com pessoas alinhadas ao Propósito e aos Valores da organização.

Note como para nada disso é preciso um ser sobrenatural nas funções de Liderança, mas indivíduos autoconscientes e merecedores de confiança. E como se consegue isso? Com a junção de duas características: vulnerabilidade e autenticidade.

A coragem para ficar vulnerável

Times de alta performance possuem Líderes de alta performance, onde há prática de conversas corajosas, uma cultura de accountability onde há prestação de contas entre todos, com forte responsabilização e uma prática recorrente de feedback, em que o Time joga falando e fala jogando, o tempo todo. Nestas equipes, o Líder dá o tom: há coragem para ficarem vulneráveis uns com os outros, para expressarem livremente seus pensamentos e sentimentos mais verdadeiros.

Como diz Brene Brown, em A Arte de ser Imperfeito: “As pessoas bem sucedidas na conexão com as outras abraçam completamente a vulnerabilidade. Elas acreditam que isto as torna fortes, belas e autênticas. (…) Conexão para elas é resultado da autenticidade, quando estão dispostas a deixar de ser quem elas pensavam que deveriam ser a fim de serem quem elas são, atitude necessária para se conectar com o outro”.

O efeito colateral da vulnerabilidade é de encurtar a distância entre as pessoas e ampliar a propensão para confiarem umas nas outras. Como diz Patrick Lencioni, CEO do The Table Group e autor do livro Os 5 desafios das equipes: “No cerne da vulnerabilidade está a disposição das pessoas em abandonar seu orgulho e seu medo (…). A única maneira de as equipes construírem uma verdadeira confiança é que seus membros sejam honestos sobre quem realmente são, com verrugas e tudo.”

Alinhar pensamentos, sentimentos e comportamentos

Distantes da perfeição improvável e impossível que não encontramos em nós mesmos, os Líderes não se esforçam para serem quem não são. Ao contrário, por meio de autoconhecimento, tornam-se crescentemente a melhor versão possível deles mesmos. Navegam com a bússola de seus mais importantes Valores, que guiam suas ações e escolhas e são auto-motivados pelo combustível produzido pela busca por Sentido e Propósito.

Características perfeitamente possíveis de encontrarmos em seres humanos, demasiadamente humanos.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

 

 

 

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