Tudo bem: talvez você seja daqueles experts em futebol, que é capaz de escalar os jogadores titulares e reservas da Portuguesa de Desportos, do ano de 1968. Mas você é uma exceção!

Tenho uma estatística para compartilhar. Nos últimos meses, em minhas palestras e workshops, fiz a seguinte pergunta: quem fez o gol do Brasil no 7 a 1 com a Alemanha? De cada dez pessoas, em média apenas duas são capazes de responder corretamente: foi o Oscar, aos 45 minutos do segundo tempo.

Por que a maioria não se lembra de quem foi o autor do único gol brasileiro? Afinal, foi durante uma Copa do Mundo e contra um time forte. Mas quem se importa?

Imagine só: terminada a tragédia, conhecida como “Mineiraço”, lá está o Oscar, batendo no peito e celebrando seu gol, todo sorridente em frente às câmeras dizendo: “Bem, tô muito feliz hoje, fiz a minha parte! Mas os caras lá tomaram sete gols…”. Chego a sentir cólica renal só de pensar nesta cena que, felizmente, não aconteceu. Oscar saiu constrangido de campo, com todo o resto da Seleção. O que podemos aprender com aquela história?

O êxito individual desaparece em meio ao fracasso coletivo

Esta é a regra de ouro: seja lá o que você tenha feito de extraordinário, será diluído pelo tempo, quando o contexto foi de insucesso do seu grupo. Busca por status pessoal e disputas de egos destroem as chances de criarmos um Time. Será, quando muito, um grupo de pessoas, com atitude fragmentada e resultados insuficientes.

Nem todo Grupo será um TIme, muito menos em alta performance. Para termos um Time de verdade são necessários alguns comportamentos. Vejamos um resumo deles a seguir.

Confiança

Não se constrói confiança entre pessoas que têm medo de serem autênticas umas com as outras, sem disposição para expressarem seus pensamentos e sentimentos verdadeiros. Nestes casos, é preciso romper barreiras e ampliar a proximidade entre elas, estimular intimidade e conexão interpessoal.

Harmonia pra valer e não de faz de conta

Também não há confiança em ambientes com “harmonia artificial”, quando fazemos de conta de que está tudo bem. Membros de Times vencedores estão sempre dispostos a conflitos produtivos de ideias. Fogem do consenso rápido, divergem bastante e depois se alinham em uma direção compromissada. Sabem que conversas corajosas dependem não apenas de diálogos, mas também de debates.

Comprometimento com um Propósito comum

Não nascem Times em grupos onde a lógica é de “sobrevivência individual”, um pensamento do tipo “como eu saio dessa”, no lugar de “como nós podemos sair juntos dessa”. Ambiguidade e fragmentação da ação serão as atitudes mais comuns de grupos com baixa performance, uma busca constante por “culpados” e “heróis”.

Responsabilidades claras e feedback

Um Grupo não se torna um Time quando não existe uma clara postura de responsabilização, pessoas que não fogem à sua responsabilidade e vão sempre além do esperado, sobretudo quando precisam agir em nome do coletivo e da causa que os une. Em um Time de alta performance, as pessoas falam o tempo todo umas com as outras, gritam quando estão em posição incorreta, em claro “impedimento”, não delegam esta responsabilidade para o Técnico ou para o presidente do Time.

Desafio e aprendizagem

Times em alta performance são compostos de pessoas que sentem que crescem como pessoas e profissionais, fundamentalmente porque não param de aprender. Sua aprendizagem surge de um estado permanente de desafios, ou seja, pessoas desafiadas em seu nível de prontidão técnica, tomando a iniciativa de se desafiarem no limite de suas competências. Sabem que a aprendizagem costuma vir com frio na barriga, quando tentamos não apenas fazer melhor, mas fazer diferente.

Líder dá o exemplo

Há poucas coisas tão nefastas quanto um Líder que fala uma coisa e faz outra. Engajamento e bom desempenho serão pontuais e passageiros, na melhor hipótese.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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