Uma certeza: a vida nos obrigará a rever nossas certezas. É como olhar para o céu e vê-lo mudar, a cada segundo.

Somos capazes de entrar em brigas por uma ideia: arriscamos ser “too much”, argumentamos ferozmente e somos brutalmente honestos ao opinar e defender um caminho. Mais tarde, já não estamos mais tão certos do que nos movia naquela direção. Aliás, o que nos movia mesmo??!!

Nosso derretimento

A experiência de estar vivo é uma aventura complexa e desconhecida. Nosso instinto de preservação e segurança, porém, tenta nos direcionar para um mundo conhecido, em que nos sentimos com algum grau de controle. É o campo das coisas que “sabemos que sabemos”. Há, porém, dois túneis que evitamos: o das coisas que “sabemos que não sabemos”, e um bem mais escuro, daquelas que “não sabemos que não sabemos”.

A vida nos pega, com irritante frequência, exatamente naquelas coisas que nem sabíamos que não sabíamos. Quando damos de cara com elas, derretem nosso sistema de crenças construídas pelo ego, por aquilo que chamamos de “consciência”. Tempos depois, percebemos que o modo como funcionamos foi concebido em parte pela “pequena mente”, aquele “homenzinho” que “fala” ao ouvido o tempo todo. O mundo que ele constrói tem como combustível o medo. Essencialmente, o medo de morrer, quase sempre sinônimo do medo de viver. Pense comigo: o que pode ser mais relevante a ser temido, do que o próprio viver? Neste estado, paralisamos e congelamos para cada movimento que a vida espera de nós, e para aquilo que esperamos dela.

A complexidade

Os sustos e percalços correrão em nossa direção vindos destes lugares: do medo da vida e do que não sabemos que não sabemos. Esta é a essência de estar vivo no século XXI, em que a mudança fundamental é no modo de pensar, que dispara um novo modo de sentir e agir. Pensar de modo complexo talvez seja a melhor receita para navegar neste século. E o que significa? Inspirado pelos autores Edgar Morin e Humberto Mariotti, aqui seguem algumas características da complexidade:

1) Sinta-se confortável com Incertezas e Instabilidades: não sabemos o que acontecerá no momento seguinte. Nossa felicidade dependerá de como reagiremos diante do que não escolhemos. Mesmo sem controle sobre o futuro, temos que planejar como desejamos que seja este futuro. Nada ficará no mesmo lugar e o olhar deverá ser de flexibilidade, sem renunciar em instante algum ao nosso protagonismo, de fazer escolhas que tenham coerência com nossos valores.

2) Brinque seriamente com a Ambiguidade de cada experiência: nada tem significado único, mas múltiplas formas de ser percebido e vivenciado. Alguém preparado para o século XXI não busca a resposta certa, mas sim a pergunta certa. E não o faz no singular: procura todas as possíveis respostas, com fluência de questionamento. Evitar o rápido consenso e estimular o confronto de ideias faz parte desta atitude. Existirão sempre os temas para os quais é necessária uma clara resolução em curto prazo. Mas para várias outras, ao invés de provocar uma resposta, prolonga-se a pergunta. Ao invés de eliminarmos os naturais embates entre pólos opostos, ampliamos a tensão criativa entre eles, prolongando-a e mantendo sua pulsação incômoda por mais tempo, até que possamos ir além do raso e superficial.

3) Prefira a Unicidade no lugar da Dualidade: a vida pressupõe pares de pólos que são opostos, mas são sempre interdependentes. Dia e noite, luz e sombra, direita e esquerda, centralizar e descentralizar, estabilidade e mudança são alguns exemplos. Estes pólos representam polaridades, ou seja, um não tem significado sem o outro. São existências dependentes entre si. Ao invés do pensamento fragmentado, que escolhe uma coisa ou outra, o pensamento complexo escolhe uma e outra, rompendo as experiências divididas pela dualidade e substituindo-as pela unicidade.

4) Seja Aprendiz para sempre: já se disse que o verdadeiro gênio não é o que sabe, é o que aprende sem parar. De fato, é o que nos mantém engajados com a vida e o trabalho: a sensação de crescimento pessoal e profissional, de aprendizagem contínua. É navegar intencionalmente pelo campo do que sabemos que não sabemos, para descobrir outras coisas que nem imaginávamos ignorar. Aventurar-se para as fronteiras das suas competências, assumindo desafios maiores do que seu nível de prontidão, a fim de experimentar aceleração do aprendizado. É fazer aprendendo, aprender fazendo. É conhecer, com seu lado racional, e compreender, com sua parte emocional e sensorial.

5) Seja agente da Mudança e da Transição: diante de um mundo complexo, o que mais acontecerá será a transformação ao seu redor. Quando as coisas se transformam, elas mudam (ou seja, as transformações externas a você). As mudanças nos obrigam a viver a transição, ou seja, a transformação interna, em nós mesmos: será preciso rever crenças, atitudes, comportamentos e hábitos. Investimentos em autoconhecimento ajudarão a viver as transformações com menos resistência e sermos seus agentes. É da competência da adaptabilidade de que precisamos.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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