Autossabedoria ou Autoconhecimento?

A palavra “autoconhecimento” é mais conhecida, porém incompleta. O desafio de ampliar consciência depende de duas disciplinas: conhecer e compreender a si mesmo. E qual a diferença?

“Conhecer” pressupõe um exercício do lado esquerdo do cérebro, nossa parte lógica e racional. Significa discorrer sobre nossa história, relembrar os principais marcos biográficos e explorar como contribuíram para solidificar crenças que nos geram pensamentos alavancadores ou limitantes, nossos valores, competências, talentos e propósito de vida e carreira.

“Compreender”, por outro lado, depende da conexão com o hemisfério direito do cérebro. Enquanto nossa lógica elenca e narra nossos marcos biográficos, é preciso senti-los, perceber no corpo e na emoção seus resíduos, tensões e marcas. No mesmo instante em que tudo isso passa pelos sentimentos novamente, esforço-me para expressá-los e dar coerência para tal expressão, fazendo contato com o significado que cada uma destas coisas guarda em minha biografia.

Desse modo, a soma entre conhecer e compreender a si mesmo molda a definição de “sabedoria do eu”, ou “autossabedoria”. Para mim, trata-se da competência chave para este século.

O dilema fundamental que vivemos reside menos na competência técnica que encontramos no mundo e muito mais no nível de consciência de modo geral, entre Líderes e Liderados, entre todos os tipos de gente, entre mim e você. A questão crucial está na incapacidade nossa e daqueles que governam a si próprios, seus times, empresas, cidades e países em responder perguntas vitais, na primeira pessoa do singular, tais como:

1) qual a coerência entre o que penso, sinto e faço?

2) quais são as coisas que valem muito para mim, aquelas que não estou disposto a negociar, das quais não abro mão?

3) sinto-me responsável pelas escolhas que fiz e que tenho feito? estou de bem com elas?

4) quais são os aspectos em mim que não me agradam? quais são as características que tenho e das quais não me orgulho?

5) quais são as partes da minha história de vida que não aprecio? como faço para escondê-las e como isso interfere na maneira como me relaciono com o mundo?

6) quais são as decisões importantes que tenho postergado, em minha vida e carreira? por que não as tornei realidade até agora?

7) quais são os relacionamentos em minha vida que estão mal arrumados, mal terminados e pendentes de uma conversa, de um perdão ou de um simples “obrigado”?

8) qual a emoção central em meu ser? qual meu centro emocional de gravidade, a energia que direciona fortemente o que faço: raiva, ressentimento, tristeza, culpa, vergonha, medo, humor, alegria, perdão, empatia?

9) que movimento devo fazer hoje, amanhã, no curto prazo, para me sentir leve, em paz e mais presente com a vida?

Note: são apenas 10 singelas perguntas em meio à enormidade de reflexões que podemos fazer para ampliar consciência para quem desejamos ser. Mas cada uma delas vale todo o esforço e eventual desconforto. Assim, viveremos com mais plenitude neste século.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

 

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