Em processos de Coaching, ouço com frequência:

– Rogério, meu Chefe é muito ruim. O cara está me deixando louco! Não sei mais o que fazer?

Veja, existe um aspecto dessa questão que não se negocia: respeito! Seja lá quem for seu Chefe, o cargo que tiver, não poderá assediar aqueles com quem trabalha, sob qualquer pretexto. Nestes casos, não pense duas vezes: denuncie e tenha coragem para deixar a organização. Pense no impacto nas outras dimensões da sua vida quando você concorda em aceitar atitudes desrespeitosas com você. Em que outras circunstâncias você topa desrespeito com você? Faça a mudança!

Nas demais situações, recomendo a seguinte reflexão: o que posso aprender com este incômodo? não seria este o contexto ideal para ganhar maturidade e mais prontidão técnica e comportamental? Pense com franqueza: não podemos ignorar que o problema esteja mais em nós do que no outro. O Jung tinha uma frase reveladora a este respeito: “Tudo o que me incomoda no outro, tem algo importante a revelar sobre mim mesmo”. É muito comum que meus clientes de Coaching revelem em seus Gestores mais difíceis e exigentes seus maiores mestres. Ou seja, um Gestor que nos “atormenta” pode ser o portador da melhor oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional.

Desse modo, para não perder a oportunidade de uma importante evolução, sugiro as seguintes reflexões:

1) Repense em que etapa está dentro do seu Ciclo de Carreira: você está no início do seu Ciclo? ou será que já está entre o amadurecimento e declínio? sente que já aprendeu o que podia aprender nesta função? sente que parou de crescer?

2) Reavalie seu grau de desafio: suas atuais habilidades são maiores que seus desafios? você está “sobrando” em termos de conhecimentos e habilidades? seu grau de prontidão é maior do quanto está desafiado em sua atual função?

3) Reveja seu escopo: como pode assumir mais responsabilidade, ainda que no mesmo cargo? em que “zonas cinzentas” em seu departamento você pode entrar, aquelas funções que são importantes mas que ninguém quer assumir? como pode assumir mais desafios, proativamente?

4) Reflita sobre a identidade com o Time: você se sente alinhado com as pessoas com as quais trabalha? sente-se identificado com elas? comunga de valores e interesses comuns? ou está distanciado e desencantado com o grupo?

5) Revise suas Competências: como avalia o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possui? em que medida precisa reciclá-las?

Pode ser que seu Gestor não esteja tão preparado para ser um Líder Coach, apoiá-lo nestas reflexões e ajudá-lo a evoluir. Limita-se a cobrar objetivos e metas e investe menos na formação de pessoas e equipes. Isto é comum, infelizmente. Dessa forma, você terá que se mover sozinho! Acredite: os ganhos compensarão.

Adicionalmente, recomendo que você converse com seu Gestor. Prepare-se para uma conversa corajosa, revele seus pensamentos e sentimentos mais verdadeiros e peça feedback. Na sequência, ofereça a ele o resultado da sua autoanálise e seja proativo em sugerir soluções e mudanças, na medida do possível. Novas atribuições e responsabilidades, contato com outros times, envolvimento em novos projetos, reciclagem e treinamento on the job poderão acelerar positivamente a mudança. Realinhar as ofertas e expectativas com seu Líder será necessário neste momento.

Por último, faça uma reflexão mais íntima, para investigar se não transferiu para seu Chefe expectativas inconscientes: tornei-o alvo de alguma idealização indevida? Projetei nele um papel irreal, paternal ou maternal, além da nossa relação profissional? Converse com alguém da sua confiança sobre o que pensa e sente a este respeito. Valide estes pensamentos e sentimentos e isto o levará a um patamar mais elevado.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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