Onde estão os Mandelas, Luther Kings, Gandhis, Lincolns? Ou mesmo se olharmos para o Brasil, onde temos mais outras como Zilda Arns, por exemplo?

Tudo bem. Reconheço que subi a régua com essas referências. Mas quantas hoje são as pessoas que nos engajam e inspiram, como exemplos notáveis? Sei que podemos ter aqui ou ali boas referências (e temos, certamente!), mas não serão inúmeras. Se pararmos para pensar então no Brasil, nossa angústia aumentará.

Tenho dito – com muito pesar – que estamos no volume morto de grandes Líderes. Olho ao redor e, por vezes, sinto-me atraído pela humanidade sincera e corajosa do Papa Francisco. Mas me questiono quantos deles precisamos para arremessar com efetividade uma parte considerável de seres humanos para dentro do século XXI, aquela porção de indivíduos excluída de qualquer dignidade mínima.

No nosso caso, não me parece que o Brasil esteja às vésperas de descobrir um novo Líder, alguém capaz de arrebatar de paixão este País e devolvê-lo aos brasileiros. Uma pessoa guiada pelos Valores que mais precisamos, um sujeito competente e hábil para acelerar as mudanças mais urgentes que esperamos. Bem, tomara que isto aconteça! Mas não dá pra contar com isso.

Há outra ideia poderosa que desejo dividir com você: pense nas milhares de empresas que existem no Brasil e nos milhões de indivíduos que lá trabalham. Agora veja o seguinte: a maioria tem uma Liderança, alguém que os dirige, todos os dias. Sabe o tamanho disso? Um Líder, em um ano, disponibiliza para o seu Time mais de 64 mil horas no exercício de liderá-los. O que significa um tremendo potencial de impacto na vida dos seus liderados, em como seus Líderes os devolvem diariamente para suas famílias, para seus relacionamentos e para a sociedade.

Não tenho dúvida disso: alguém sentado em uma cadeira como Gestor de um Time faz hoje mais pelas pessoas e pelo País do que alguém outro sentado em um trono como governante em qualquer esfera de poder. Todos aqueles responsáveis por indivíduos em suas equipes podem devolver estas pessoas para suas famílias e para a sociedade em condições cada vez melhores. Não importa o tamanho dessa equipe: duas pessoas, duas dezenas ou centenas delas, poderão evoluir sob condução de bons Líderes corporativos.

Acredito mais neste caminho do que na esperança de aparecer um improvável salvador da Pátria nas eleições que teremos pela frente. Acredito na força de cada indivíduo, ampliando o senso de propósito em gerenciar pessoas e Times, em se tornarem mais autoconscientes para o impacto que causam – e para o que desejam causar – em seus mundos.

Com meus clientes de Coaching, por exemplo, faço sempre essas perguntas, para reforçar esta consciência:

1) como lidera a si mesmo? como avalia o nível de alinhamento entre o que pensa, sente e faz?

2) como impacta as pessoas ao seu redor? que pensamentos e sentimentos desperta nelas? qual a experiência de conviver com você, em seus diferentes papéis?

Uma boa medida para avaliar um Líder é analisar a qualidade e intensidade de impacto que provoca na vida das pessoas. Depois de um dia inteiro de trabalho sob a batuta daquele indivíduo, como o Time volta para casa, para seus diferentes desafios na vida pessoal e familiar? Que tipo de cidadão este Líder ajuda a construir, todos os dias?

Quer imaginar algo capaz de transformar o Brasil com velocidade e profundidade? Desenvolver habilidades para liderar pessoas em torno de Propósitos e Valores significativos dentro das nossas empresas será algo mais efetivo do que esperar que um “Messias” nos tire do volume morto em que se meteu o Brasil.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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