Todos desejamos trabalhar com Líderes humanos, éticos e respeitosos. Mas este artigo não trata deste tipo saudável de liderança, mas dos comportamentos de alguns gestores que são perigosos exatamente porque parecem bonzinhos.

Chamaremos aqui estes indivíduos de “Chefes Fofos”.

Consenso generalizado

Sob condução destes líderes, os Times são convidados ao não questionamento. O bom debate e o pensamento divergente são substituídos por um pensamento de grupo que espera coesão absoluta.

As certezas são bem vindas, na mesma medida em que dúvidas e perguntas são percebidas como sinais de desalinhamento. É o momento em que a Equipe fica mais parecida com uma “seita” do que com um Time.

Neste tipo de grupo, a dificuldade em tratar de temas difíceis estimula baixos padrões e aniquila o potencial criativo das pessoas.

Amigos e camaradas

Sob a batuta de Chefes Fofos, somos chamados a abandonar a originalidade das nossas ideias para “somar” ao grupo e não destoar do coletivo.

De uma forma velada e cordial, as pessoas são pressionadas a se adaptar ao movimento da maioria silenciada em sua capacidade de pensar de modo crítico, com total adesão ao pensamento dominante.

Este comportamento será premiado pela amizade e camaradagem do líder, que tratará a equipe como um grupo leal de amigos, pessoas em quem ele pode realmente confiar.

Nestes Times, confiança será sinômino de fidelidade canina e obediência irrestrita.

Os que assim se comportarem serão premiados de modo valioso: a proximidade com o Chefe. Serão escolhidos para os momentos de intimidade social com ele, que os tratará como gente “da família”. Resultado? Maior compromisso de adesão não questionadora.

Seduzidas por tão preciosa proximidade, ser leal para essas pessoas ensejará “seguir o líder”, não conflitar e sempre evitar o dissenso.

Que fofo!

Em grupos com este perfil, o Feedback de verdade é substituído por rituais de reconhecimento daqueles com postura servil e plácida.

Como recompensa ao alto nível de comprometimento, méritos e promoções premiam os seguidores mais estimados. Isto sinaliza claramente para os demais o tipo de atitude que merecerão todas as honras: envolvimento fechado, coeso e unânime.

Vá no seu limite!

Um Chefe Fofo é sensível ao eventual desconforto dos seus liderados quando assumem desafios maiores do que suas competências. O conforto é bem vindo e a pressão por enfrentar o novo e o complexo é evitada a todo custo. “Não queremos aqui ninguém estressado”, completa o Chefe, assumindo junto à equipe um caráter quase divino.

“Vá no seu tempo” é a expressão que simboliza um Chefe Bonzinho, preocupado com a “qualidade de vida” do Time e o maior defensor do seu “bem estar”.

Deixa eu trabalhar para este cara!

À esta altura, este é o Chefe dos sonhos. Acompanhe comigo:

  1. A equipe vive em harmonia.
  2. O clima é positivo.
  3. Não há conflitos.
  4. Não há desconforto entre as pessoas.
  5. Há um ambiente de confiança.
  6. Existe um forte espírito de grupo.
  7. O Time está unido em torno de uma liderança forte.
  8. O Chefe é preocupado com o bem estar da sua turma.
  9. Não há pressão e cobrança.
  10. As pessoas são reconhecidas e valorizadas por seu compromisso.

Pronto: está desenhado o time ideal, certo? Não é bem assim.

As consequências de se trabalhar para um Chefe Fofo

A realidade é cruel por detrás do manto camarada que cobre as costas deste tipo de Chefia. Ao contrário do que se pode imaginar, os efeitos de se trabalhar para um Chefe Fofo são devastadores para nosso desenvolvimento, na medida em que:

  1. O consenso é cego e sufoca o potencial de criatividade e inovação no grupo.
  2. A harmonia é artificial.
  3. Os relacionamentos são superficiais.
  4. O aprendizado é baixo, porque as pessoas não estão desafiadas.
  5. O desenvolvimento pessoal e profissional é inexistente, inexpressivo e lento.
  6. É óbvio que os resultados ruins não tardarão a aparecer, dado o conjunto de comportamentos que são inimigos da alta performance.

Quando isto ocorrer, caso as pessoas não subam para um patamar superior de consciência, serão iludidas pelo Chefe Fofo com teorias de como foi vítima de traição e complô. Um culpado malvado precisará aparecer para completar a trama.

Estará então aberto o caminho para uma nova Liderança, capaz de engajar ao invés de enganar seu Time.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

ROGÉRIO CHÉR, é sócio da Empreender Vida e Carreira, autor do best-seller Empreendedorismo na Veia – um aprendizado constante e do livro Engajamento – melhores práticas de Liderança, Cultura Organizacional e Felicidade no Trabalho.

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